MICROAGULHAMENTO: por que pequenas perfurações podem estimular colágeno?

O microagulhamento utiliza pequenas agulhas para produzir microperfurações controladas na pele. Essas lesões são planejadas para desencadear uma resposta de reparação tecidual, conhecida como indução percutânea de colágeno.
Ao identificar o microtrauma, o organismo inicia uma sequência de processos envolvidos na cicatrização, com liberação de mediadores e fatores de crescimento que estimulam a atividade das células responsáveis pela remodelação da matriz extracelular.
Entre elas estão os fibroblastos, células que participam da produção de componentes importantes da pele, como o colágeno. Com o estímulo adequado, ocorre aumento da síntese e posterior remodelação dessas fibras, contribuindo gradualmente para mudanças na estrutura e na qualidade da pele.
É justamente essa característica que diferencia o procedimento de uma simples esfoliação: o objetivo não é apenas provocar uma renovação superficial, mas estimular uma resposta biológica nas camadas da pele atingidas pelas agulhas.
A profundidade utilizada, o número de passadas e outros parâmetros precisam ser definidos de acordo com o objetivo do tratamento e as características de cada pele. Um estímulo excessivo não significa necessariamente um resultado melhor e pode aumentar o risco de inflamação e complicações.
Os resultados também não são imediatos. A produção e a reorganização do colágeno acontecem progressivamente ao longo das semanas e meses seguintes ao procedimento.
Por isso, entender o microagulhamento é entender que suas respostas acontecem de dentro para fora, por meio da própria capacidade de reparação e remodelação da pele.
Dra. Tatiana Gige – Dermatologista
Soc. Bras. de Dermatologia e de Cirurgia Dermatológica
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